Ideal Clube

Entrevista com Kal Aragão: recordista nacional dos 800m nado livre

Publicado em 25.08.2017

Ele aprendeu a nadar nas piscinas do Ideal. Formado em Administração de empresas, empresário, 45 anos, casado com Ana Caroline e pai de Amanda, Igor e Thais. Hoje, também vice-presidente de esportes do clube, Antônio Carlos Aragão, o Kal, emocionou a todos no último campeonato cearense master de natação ao bater o recorde nacional dos 800m nado livre. Vamos saber mais sobre a trajetória deste nosso grande campeão.

Vamos direto ao ponto. Você consegue descrever a sensação de bater um recorde nacional, ainda mais nadando em casa, na piscina do Ideal?
Antes da prova, eu imaginei algumas vezes como seria minha reação se batesse o recorde brasileiro e imaginei também como seria se não alcançasse a marca. Na verdade, após concluída a prova, a sensação foi diferente de qualquer situação imaginada, um misto de exaustão com euforia. Ter sido na piscina do Ideal foi realmente o toque especial na conquista, pois é o clube que treino diariamente desde os oito anos de idade. 

Como o esporte, especialmente a natação, surgem na sua vida?
Sempre fui muito ligado em atividades esportivas desde cedo. Futebol, basquete e natação... Quando mais novo, cheguei a praticar basquete e natação ao mesmo tempo, optando pelo esporte aquático na adolescência.  

Você  conseguiria fazer um relato de sua história de atleta do Ideal Clube?
Iniciei na natação do Ideal aos oito anos de idade aproximadamente. Tive muitos professores e técnicos no clube: Maurício, Zélia, Marcos, Fernando Marques, Ney Carlos, Ione Borges e, atualmente, Guilhermo Sanchis. São inúmeras competições defendendo o Ideal, desde competições estaduais a internacionais; já defendi o clube no Canadá, Austrália e em competição no Hall da Fama da Natação em Fort Lauderdale (EUA). O Ideal sempre foi uma segunda casa.

Qual a importância do esporte na sua vida?
O esporte possui características únicas, uma coisa importante que vejo no esporte: as amizades que construímos e os laços de amizade feitos nas piscinas ou nas quadras são extremamente fortes e duradouros, pois quando se faz parte de uma equipe você constrói uma nova família. Gosto, acompanho e leio tudo em relação a diversos esportes, já pratiquei de tudo, basquete, judô, jiu-jitsu, tênis, futebol americano e triathlon. O esporte molda a mente tanto quanto o corpo,  além disso, é o melhor remédio para preocupações e stress.

Você poderia citar algumas de suas principais conquistas nas piscinas?
No início, quando era da categoria mirim, a gente sonhava com uma simples medalha nas competições internas do clube, o tempo passa, os treinamentos se aprimoram e se vislumbram medalhas de campeonatos estaduais. Aos 15 anos, ganhei minha primeira prova em campeonato cearense, lembro bem de vários detalhes daquele dia, na época era nadador de provas curtas e fui campeão cearense juvenil nos 50 e 100 metros nado livre; pouco tempo depois fui morar nos Estados Unidos em intercâmbio e competi muito por lá no Estado de Montana, onde desde 1990 ainda possuo três recordes na cidade que morei. Parei um tempo de treinar e aos 22 anos resolvi voltar às piscinas, passando a dar mais atenção aos treinos e com maior foco em torneios interestaduais e brasileiros, dessa época até hoje são vários títulos nacionais em diversas provas. Liderei por alguns anos também os rankings brasileiros das provas de 400 e 800 metros em diferentes categorias de idade. No âmbito internacional, foram dois Jogos Mundiais, Canadá e Austrália, quatro medalhas somando as duas participações, inclusive um vice-campeonato mundial na travessia de 2km, três  participações em Campeonatos Sulamericanos, sendo que no último, em 2012, ouro nos 200, 400 e 800 metros livres. Treinei por pouco tempo o triathlon e consegui terminar uma prova de Ironman.

E as provas de travessias no mar?
Sempre competi em travessias, nadar no mar tem seus diferenciais  e  provas estaduais que tinham 70 competidores atualmente passam de 400 nadadores. Em 2016, fui o vice-campeão geral do Circuito Cearense de Maratonas Aquáticas, em destaque posso citar a Travessia Marina Park, que em 08 participações foram cinco títulos de campeão geral. Participei de uma travessia (World Masters Games) no Canadá, onde fui segundo colocado na categoria, duas participações em provas do Rei do Mar, no Rio de Janeiro, com ouro e prata na faixa etária, além de três Travessias do Forte, também na capital carioca.

Além de atleta, atualmente você é vice-presidente de esportes do ideal. Na visão do dirigente, como anda o desenvolvimento do desporto idealino?
Comandar o desporto no Ideal é uma tarefa prazerosa, mas muito desafiadora, pois o clube sempre teve excelentes pessoas à frente dessa pasta. Juntamente com o Luiz Fernando Mota e o Presidente Amarílio Cavalcante, obtivemos ótimos números no que tange a quantidade de crianças, jovens e adultos praticando atividade física no Ideal, hoje beiramos 900 alunos matriculados divididos na natação, tênis, futsal, basquete, voleibol, lutas, zumba e hidroginástica. Apesar do clube ter forte caracterização no aspecto social, o mesmo também pulsa esporte diariamente.

Além da natação, o que lhe traz felicidade? 
Estar na presença da família e dos amigos sem dúvida sempre me traz conforto, viajar e ler um bom livro são sinônimos de evolução, por isso os tenho como metas rotineiras. No mais, uma competição num final de semana e uma ótima cerveja no seguinte seria o que chamo de uma boa quinzena.

Qual a mensagem você deixa para os atletas mais novos?
Não parar. Por mais difícil que seja continuar praticando uma atividade física nos dias de hoje, onde o tempo está cada vez mais curto, jogar a toalha seria a pior opção, pois o tempo parado não volta e as consequências, seja você atleta de rendimento ou aquele que dá uma caminhada na praça, serão sentidas.