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Campanha Janeiro Branco | Por Melissa Quesado

Publicado em 10.01.2019

O final do ano chegou e, com ele, surge um sentimento coletivo de que após a festa da virada, tudo vai ser diferente. É momento de fazer promessas, traçar objetivos, enumerar metas, reavaliar erros e acertos, encontrar amigos, reunir a família, participar de comemorações, agradecer, perdoar, acreditar novamente e sempre, lá no fundo, os trechos de uma velha canção conhecida vai sendo entoada: “Adeus, ano velho/ Feliz ano novo/ Que tudo se realize / No ano que vai nascer...”

Para os que tiveram um ano bom, a esperança é renovada e ganham mais força para persistirem nas escolhas. Já os que passaram por dificuldades, recebem uma nova chance de recomeçar e passam a enxergar um futuro mais agradável.

O novo ano começou. Uma diversidade de sentimentos reaparece. As pessoas têm a sensação de um novo começo, novos planos, novos estilos de vida. Pensando nisso, foi criada a campanha Janeiro Branco, que tem como objetivo discutir a importância do cuidado com a saúde mental em busca de mais felicidade e qualidade de vida. O mês de janeiro foi escolhido por representar, de forma simbólica e cultural, um mês de renovação e o início de muitos projetos pessoais, e a cor branca representa uma tela em branco, podendo se desenhar muitas possibilidades.

É comum ser encontrado a cada mês, durante o ano, alguma campanha com o objetivo de alertar e conscientizar a população sobre determinado assunto. Assim acontece com Janeiro Branco, idealizada pelo psicólogo mineiro, Leonardo Abrahão, em 2014, a campanha convida a população a refletir e debater a respeito da Saúde Mental/Saúde Emocional, promovendo a visibilidade dos campos das práticas da Psicologia, incentivando a sociedade a se aproximar mais das questões relativas ao sofrimento psíquico e favorecendo espaços para a desconstrução de tabus acerca da temática. 

De forma crescente, os poderes legislativos de municípios e estados brasileiros estão reconhecendo a sua importância e legitimidade, já considerando que o cuidado com a saúde mental vai além do âmbito clínico e individual. Faz-se presente e urgente na efetivação das políticas públicas e inclusivas, baseadas nos princípios norteadores do SUS (Sistema Único de Saúde) e na interlocução com outros saberes e práticas profissionais.

Estar mentalmente saudável, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) é o estado de bem-estar, no qual uma pessoa consegue desempenhar suas habilidades, lidar com as inquietudes da vida, ser capaz de trabalhar produtivamente e contribuir para a sua comunidade. No entanto, as situações do cotidiano mostram que cada vez menos as pessoas vêm conseguindo levar a vida como o esperado. São altos os índices de violência, drogadição, suicídio, transtornos psiquiátricos, intolerância, discriminação, solidão, entre outros.

Estudos apresentados pela OMS e o Ministério da Saúde do Brasil, indicam que o nosso país tem experimentado um crescimento vertiginoso das problemáticas relativas à saúde mental. De acordo com os dados do ano de 2017 da OMS, a sociedade brasileira é a recordista da América Latina em casos de depressão, campeã mundial em relação à ansiedade e a 4º colocada em relação ao crescimento das taxas de suicídio entre os jovens da América Central e da América do Sul.

Portanto, sugere-se como parte da campanha e, principalmente, em todos os outros momentos da vida, que as pessoas sejam mais sinceras e transparentes com seus desafios psicológicos, através do autoconhecimento, respeito próprio, harmonia social, qualidade nos relacionamentos pessoais e profissionais e acima de tudo, sendo detentoras de sua própria história. Vale ressaltar a importância e a coragem de se buscar ajuda e apoio especializado sempre que necessário, afinal, “QUEM CUIDA DA MENTE, CUIDA DA VIDA”.