Ideal Clube

Entrevista Ideal: Carlos Alberto Farias

Publicado em 10.05.2019

Ele possui um vasto currículo que abrange importantes passagens pelos veículos de comunicação cearense, rádio, jornais e televisão. Também emprestou seu talento à docência por algumas décadas. Carlos Alberto Farias, ou simplesmente “Carlinhos”, como é chamado pelo muitos e muitos amigos que conquistou ao longo de uma vida. Carlinhos é figura ilustre do Ideal Clube, local que tem como extensão de sua casa. Confira um pouco de sua história...

O que dizer da juventude do menino Carlinhos?
O menino Carlinhos não era sócio do Ideal Clube. Meu tio e padrinho Oscar Pedreira era associado. Casado, sem filhos, levava os sobrinhos aos domingos e feriados para se divertirem na piscina e por ocasião das festas infantis. Nascido no bairro de Jacarecanga, um dos mais tradicionais da época, participava de um grupo de rapazes e moças da nossa sociedade. Somente em 1976 fui admitido como sócio contribuinte. Em fevereiro de 1979, adquiri uma ação de proprietário. Colegas de bairro e de escola faziam parte do quadro social e são até hoje amigos fraternos. Na juventude, comecei a frequentar eventos desportivos. Joguei basquetebol na equipe do Náutico em 1954, integrando também os times do Jurema e Liceu. Por ocasião de um Campeonato Brasileiro Juvenil, fui diretor técnico da FCB em evento realizado em Fortaleza no ginásio da Fênix Caixeiral. Com a introdução do futebol de salão no Ceará, ajudei a fundar a FCFS e a Sociedade Desportiva de Jacarecanga. Fomos campeões adultos do Ceará em 1958. Dirigi a Federação Cearense de Futsal durante quase 14 anos, sendo substituído pelo amigo e cronista Sílvio Carlos. Fui também diretor de esportes do Náutico e presidi a FUCE, onde fui diretor por mais de 10 anos.
  
Como foram as experiências como radialista e jornalista?
Aos 13 anos, já era viciado em vários esportes, notadamente o futebol, o futsal, o basquete e o vôlei. Diarista como ouvinte dos programas da Ceará Rádio Clube. Em 1954, fui admitido como estagiário da PRE-9. Em seguida, passei a ser redator e apresentador da resenha esportiva dos domingos. Nosso chefe então era o Wilson Machado. Integravam a nossa equipe nomes famosos como João Ramos, Mozart Marinho, Augusto Borges, Maurício Carvalho, José Eudes, Iran Benevides, Aliatar Bezerra e Daniel Menezes. Em 1956, fui repórter volante, redator e apresentador de programas esportivos, onde permaneci até 1964, quando me desliguei para fazer um estágio profissional no Banco do Nordeste. Permaneci na TV até quando, graduado como Administrador Público, me desliguei então definitivamente do Rádio e TV. Por outro lado, comecei a escrever colunas nos jornais associados Unitário e Correio do Ceará. Em 1952, trabalhei por 30 dias como repórter e noticiarista na Rádio Tupy do Rio. A saudade da família e dos amigos fez com que voltasse ao Ceará, reingressando na querida PRE-9.
 
Como foi apresentar um dos primeiros programas esportivos da televisão cearense?
Tão logo a TV Ceará entrou no ar, tínhamos um programa de 15 minutos (Segunda a Sábado, sempre às 18h). Redigia as notícias e apresentava o programa com Wilson Machado ou José Eudes em dias alternados. Havia também uma resenha semanal aos domingos com os mesmos apresentadores. Dois anos depois, minhas outras atribuições forçaram-me a afastar definitivamente da TV Ceará.
 
O que lhe marcou nos 33 anos comandando a antiga Fadec?
Em 1962 o Governo do Estado do Ceará criou a FADEC – Fundação de Assistência Desportiva do Estado do Ceará. Aqui foram escolhidos 7 desportistas que iam dirigi-la sem nenhuma remuneração. Entretanto, numa manobra política, a FADEC fez um convênio com o Clube Parlamentar, entidade dos deputados federais e estaduais do nosso Estado. Num lapso, o diretor executivo sem o aval da Diretoria, entregou ao Clube Parlamentar a administração total da Promoção “Vamos Construir o Castelão”, que administrava a arrecadação e os recursos obtidos. O evento era milionário e foi uma cópia da Promoção do Paulistão que construiu o Estádio Morumbi de São Paulo. Os políticos não ligados ao Clube Parlamentar entraram na justiça e rescindiram o contrato. O então governador Plácido Castelo passou à FADEC a atribuição de administrar o evento. Quando o contrato foi rescindido com o Clube Parlamentar, 97.000 carnês dos 100.000 já haviam sido vendidos, mas apenas 28.000 foram quitados. Para a promoção, que era diária, no entanto, o Governo Federal autorizou somente dois sorteios anuais, um em Julho e outro em Dezembro. Isto feito, a promoção foi desestimulada e a receita não deu para cobrir o pagamento dos prêmios comprados adiantados. No final do ano, o Governo do Estado do Ceará foi obrigado a enviar para a Assembleia um Projeto de Lei propondo que o débito da FADEC fosse quitado com recursos do FDC (Fundo de Desenvolvimento do Ceará), o que foi aprovado.

E a presidência da Federação Cearense de Futsal?
Dirigi a FCFS como Presidente por 13 anos. Com uma administração séria e equilibrada, concluímos o pagamento de duas salas no Palácio Progresso. Como Presidente comandei o Campeonato Brasileiro Adulto de Futsal em Florianópolis. Como delegado do Brasil fui campeão do Sul-Americano em Bogotá e no seguinte campeão Pan Americano na Cidade do México. Fui ainda membro do Conselho de Assessores da CBD por dois mandatos de 4 anos.

E o Carlos Alberto Farias como professor?
Em 1968, fui procurado pelo prof. Expedito Terceiro Jorge da ETFCE para substituir o prof. Maia Neto, que havia sido nomeado Chefe da Casa Civil do Governo do Rio Grande do Norte. Assinei um contrato e, no dia seguinte, ministrei a primeira aula no curso de Eletrotécnica. Trabalhei durante 30 anos e me aposentei. Foi uma jornada muito proveitosa. Mantive excelente relação com os alunos. Eram 14 aulas semanais divididas em dois turnos. Elaborei uma apostila que editei e cedi algumas para os cursos de outras escolas estaduais. Foi uma experiência maravilhosa e muito importante para meu currículo e aprimoramento pessoal. 

Como é a sua relação com o Ideal Clube?
Minha relação com o Ideal Clube é de parceria e amizade. Pertenço ao quadro social desde 1976, portanto há mais de 45 anos. Compareço ao clube várias vezes por semana, já ocupei cargos na Diretoria, nos Conselhos Deliberativos, Fiscal e Consultivo. Fui Vice-Presidente Financeiro e Esportivo. O Ideal para mim é um prolongamento da minha casa, onde encontro sempre amigos fiéis e de longas datas.
 
Como é o Carlos Alberto em família?
Tendo uma relação bastante satisfatória com sua família, Carlos Alberto Cavalcante Farias nasceu em Fortaleza, no bairro de Jacarecanga. Filho de Altair Cavalcante Farias e de Francisco Farias Filho, ele nasceu no dia 30 de novembro de 1938. O casal teve ainda mais três filhos, as irmãs Marlene Farias e Maria Alice Farias, já falecidas, e Roberto Cavalcante Farias, formado em Engenharia Civil e Presidente da PPE Eventos. Casou-se em primeiras núpcias com Rita Maria Gazelli de Araújo, prematuramente falecida, com quem teve três filhos: Carlos Roberto Farias, Carlos Eduardo Farias e Ticiana Farias, que lhe deram 5 queridos netos. Casou-se novamente com a arquiteta Vera Lúcia Sales Valente.

O que rende mais assuntos para você: política ou futebol?
Sempre gostei muito de futebol. Com relação à política, não gosto da que atualmente é praticada no Brasil. Espero apenas que nosso atual presidente cumpra o que prometeu durante sua campanha ao nosso povo.

Qual conselho você poderia dar aos jovens?
Sugerimos aos jovens que procurem melhorar seus conhecimentos, dando maior valor à cultura e ao esporte, para que possam garantir um futuro mais promissor para seus sucessores. Para o futuro de qualquer país é necessário estimular a juventude para que seja mais produtiva e consciente de suas responsabilidades, pois o futuro do Brasil está nos jovens.